terça-feira, 19 de agosto de 2014

O matemático brasileiro Artur Ávila ganhou a Medalha Fields

Por que o matemático brasileiro Artur Ávila ganhou a Medalha Fields Reprodução/Richard Cerezo
Artur Ávila apresenta uma aula sobre Operadores de Schrödinger na Pennsylvania State University em 2011Foto: Reprodução / Richard Cerezo
* Doutor pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e professor do Instituto de Matemática da UFRGS
Na última terça-feira, o país foi dormir com uma notícia diferente: um brasileiro, o jovem carioca Artur Ávila, havia sido agraciado com um importantíssimo prêmio, a Medalha Fields. No Congresso Internacional de Matemáticos realizado a cada quatro anos, exatamente como as copas do mundo (mas há mais tempo), Artur recebeu das mãos da presidente da Coreia do Sul, país que está sediando esta edição do evento, a premiação que significa o reconhecimento da comunidade matemática mundial pela excelência do seu trabalho de pesquisa. Não temos nenhum ganhador do prêmio Nobel, ainda não ganhamos copa do mundo em casa (e é melhor nem lembrar da última...) mas fomos dormir com a certeza de que temos um matemático na lista dos mais brilhantes jovens da atualidade. Mas afinal, o que é a Medalha Fields? E o que fez Artur para merecê-la? 
A medalha tem uma história de quase 80 anos. Proposta pelo matemático canadense John Charles Fields no final dos anos 1920, ela deveria ser um prêmio para jovens, que reconhecesse o enorme talento já demonstrado e estimulasse novas realizações de vulto. A medalha tem um nome oficial mais pomposo, mas com a morte de Fields em 1932 o prêmio, concedido pela primeira vez em 1936, acabou ficando conhecido pelo seu nome. A medalha é atribuída para pessoas com no máximo 40 anos de idade, podendo ser distribuída para um número que varia entre duas e quatro pessoas. Em 1936, foram premiados dois matemáticos; com a guerra, os congressos internacionais foram interrompidos e retomados apenas em 1950, quando novamente foram premiados dois matemáticos. Desde então, o ritmo tem sido esse: a cada quatro anos há um grande congresso e neles são anunciados os ganhadores, escolhidos por um comitê de alto nível composto de matemáticos de diversas nacionalidades. A cidade da vez é Seul, na Coreia do Sul, na qual foram concedidas quatro medalhas: além de Artur, foram agraciados Manjul Bhargava, Martin Hairer  e a iraniana Maryam Mirzakhani, primeira mulher a receber a honraria. Em 2018, conforme decidido na última segunda-feira, o evento abrirá suas portas na cidade do Rio de Janeiro.
E o que faz Artur? Ele é um especialista numa área na qual o Brasil já tem uma comunidade bem estabelecida, fruto do trabalho de grandes pioneiros como Mauricio Peixoto e Jacob Palis, conhecida como sistemas dinâmicos.
Sistemas dinâmicos são estruturas que se modificam no tempo: uma bola de futebol durante uma partida, uma mosca que voa, o aspecto da atmosfera, com mais ou menos nuvens, chuva, sol ou granizo... Todos esses são pequenos exemplos do cotidiano que envolvem sistemas que mudam com o passar dos segundos, no caso da mosca, dos dias, no caso da atmosfera. O grande problema é tentar ter algum tipo de previsibilidade, ou seja, se conhecemos o aspecto do céu hoje, como saber se em uma semana teremos um domingo de sol ou um final de semana chuvoso?
Um meteorologista sabe transformar a evolução da situação da atmosfera em uma equação; um físico também sabe descrever o movimento da bola por meio de equações da mecânica, e não é impossível que um biólogo bastante dedicado também consiga traduzir a complexidade do voo de uma mosca em alguma regra bem concreta. E o que faz um especialista em sistemas dinâmicos, como Artur?  Bem, ele em geral não resolve essas equações; também não costuma se preocupar com a origem das mesmas, se provêm de uma mosca ou de uma bola de futebol. Baseando-se em sua estrutura matemática, ele tenta compreender qual será o aspecto futuro produzido pela evolução de um determinado sistema.
E isso nem sempre é simples, pois diversas equações têm um comportamento em geral conhecido como caótico: são sistemas que apresentam enorme sensibilidade com relação às condições iniciais. Ou seja, se tentamos fazer uma previsão de longo prazo (por exemplo, querendo saber exatamente qual será o clima dentro de seis meses ou, ainda pior, dentro de seis anos) faz uma enorme diferença se usamos a temperatura de Porto Alegre como sendo 12ºC ou se refazemos a previsão determinando que a mesma temperatura é agora de 12,001 ºC. No primeiro caso, podemos descobrir que seis meses depois teremos um belo dia de sol com temperaturas de 35ºC e no segundo, um dia chuvoso e morno, dois resultados muito distintos.
Artur trabalha exatamente com sistemas dinâmicos caóticos. Defendeu sua tese de doutorado, orientada pelo pesquisador Welington de Melo, em 2001 no IMPA, Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada, instituição de pesquisa que existe desde 1952 no Rio de Janeiro e que é uma referência na matemática brasileira. Lá Artur chegou no início de 1996 para começar o seu mestrado. Ele ainda era um sujeito de 16 anos, no último ano da escola. Cinco anos depois, já era um matemático respeitado e que alternava temporadas no IMPA com visitas a diversos institutos de pesquisa na Europa, sobretudo Paris, e nos Estados Unidos. Trabalhando com sistemas caóticos, ele estava ajudando a compreender de maneira definitiva alguns problemas que já se arrastavam por quase 30 anos. Não parou mais, foi diversificando o alcance do que fazia, ampliando seus horizontes e dando novas contribuições fundamentais em diversas subáreas da dinâmica. Seus resultados são profundos, frutos de uma intuição impressionante e de um enorme arsenal de técnicas que usa para colocar de pé seus castelos teóricos.
Gênio isolado? Longe disso, Artur gosta de conversa: a grande maioria de seus trabalhos é feita em colaboração com outras pessoas e isso foi destacado no texto oficial que acompanhou sua premiação. Ele sabe muito bem combinar seus talentos com os de outros para disso extrair o máximo de matemática. Ele tem agora 35 anos e já galgou esse altíssimo degrau na escala do reconhecimento profissional, algo até então inédito na ciência brasileira; aliás, na matemática latinoamericana.
Ótimo exemplo do espírito original da Medalha Fields, ele é bem jovem e ainda terá outras grandes contribuições a fazer.

domingo, 17 de agosto de 2014

OBFEP 2014

Nesta terça-feira (12/08) foi realizada a OBFEP 2014 - 1ª fase na Escola Estadual Dr Fernandes Lima.
Mais uma vez a Escola está em destaque no território alagoano e em âmbito nacional.

Esperamos que os alunos tenham um aprendizado eficiente e mostrem que vale a pena estudar na Escola Dr Fernandes Lima.




A OBFEP realizada na Escola Estadual Dr. Fernandes Lima é de responsabilidade do professor Geraldo Ferreira e conta com o apoio da direção, coordenação e companheiros de trabalho em prol do aluno que se interessa nos estudos e compreende que esse é o principal caminho para o futuro brilhante.


Olimpíada Brasileira de Física 2014 - Colégio anchieta

Neste sábado (09/08) foi realizada a 2ª fase da Olimpíada Brasileira de Física em todo o Brasil. Os alunos do Colégio Anchieta foram fazer a prova e estavam confiantes para a realização da prova. Foram 22 alunos que passaram para a 2ª fase e o esforço dos alunos valeu a pena.

SEGUE ABAIXO AS FOTOS DOS ALUNOS REALIZANDO A PROVA DA OBF 2014.
Prova realizada no Colégio Contato Maceió.







quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Sonda chega a cometa em busca de pistas sobre 'início da vida'


A sonda Rosetta deve orbitar o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko por um ano
A sonda Rosetta deve orbitar o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko por um ano.

A sonda europeia Rosetta entrou nesta quarta-feira (6) na órbita de um cometa, depois de ter passado quase uma década no seu encalço.

A nave se aproximou do 67P/ Churyumov-Gerasimenko para investigar a estrutura e composição do astro.

Uma das teorias sobre o início da vida na Terra postula que os primeiros ingredientes da chamada "sopa orgânica" vieram de um cometa.

Os 11 instrumentos da Rosetta devem observar o cometa por mais de um ano, buscando indícios da presença de água, carbono e outros elementos fundamentais para a vida.

Se tudo correr bem, até novembro, cientistas esperam ter escolhido um ponto de pouso para enviar a nave Philae à superfície do cometa.

Até hoje, cientistas foram capazes de fazer sondas cruzarem o caminho de cometas, possibilitando apenas observações fugazes.

As dificuldades técnicas de por a Rosetta em órbita ao redor do 67P são consideráveis.

O cometa viaja a 55 mil km/h. Para entrar na sua órbita, a nave precisa estar em frente ao astro a uma velocidade diferente apenas 3,6 km/h menor, permitindo a aproximação até ficarem lado a lado.

O feito é inédito e dificultado pelo fato de os sinais de rádio enviados da Terra para comandar a sonda levarem mais de 22 minutos para serem recebidos.

"Temos que dar pequenos passos para nos aproximar, porque não sabemos exatamente como o cometa estará se comportando nem como a nave vai se comportar ao seu redor", afirmou Matt Taylor, um dos cientistas do projeto.

Ele diz que o comando da missão tem uma ideia "grosseira" de como voar ao redor do cometa, mas que só vão saber realmente quando se aproximarem de fato.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/bbc/2014/08/06/sonda-chega-a-cometa-em-busca-de-pistas-sobre-inicio-da-vida.htm#fotoNav=16, acesso em 06 de agosto de 2014.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Chuva de Meteoros no dia 28 de Julho de 2014.

Essa chuva pode produzir cerca de 20 meteoros por hora em seu pico, vai ser possível observar de todo o Hemisfério Norte e Sul. Os meteoros atingirão o auge em 28 de julho e 29, mas alguns meteoros também podem ser observados a partir do dia 18 julho até 18 agosto. O ponto radiante para este chuveiro estará na constelação de Aquário. Uma fina lua crescente vai desaparecer no início da noite deixando o céu escuro  e ainda mais espetacular para o show. A melhor visualização geralmente é para o leste após a meia-noite a partir de um local escuro.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Escola Estadual Dr Fernandes Lima na OBMEP

A Escola Estadual Dr Fernandes Lima iniciou a preparação para a segunda fase da OBMEP 2014 desde 09 de julho, separados em 3 níveis, além da preparação para o professor. Essa preparação visa não somente obter um bom resultado para os alunos, mas que eles ganhem o gosto de estudar a matemática.

A ideia é que esses alunos que estão participando da preparação consigam contagiar os outros alunos. Na verdade já temos alunos que não foram classificados para a 2ª fase, mas querem participar da preparação.

Os alunos são postos a atingir o seu limite no estudo, sendo propostos para eles desafios que os colocam a pensar, refletir e até julgar os seus conceitos sobre a matemática.

Veja o calendário da preparação dos alunos nos três turnos:

Turma matutino – 2ª fase
Turma
Data
Dia da semana
Professor
Nível 3
09/07
Qua
Geraldo
Professores
16/07
Qua
Todos
Nível 1
17/07
Qui
Caio
Nível 1
18/07
Sex
Geraldo
Nível 2
21/07
Seg
Sérgio
Nível 2
25/07
Sex
Lucivalda
Nível 3
28/07
Seg
Geraldo
Professores
06/08
Qua
Todos
Nível 1
12/08
Ter
Brunio
Nível 2
19/08
Ter
Lucivalda
Nível 3
27/08
Qua
Geraldo
Nível 3
01/09
Seg
Geraldo
Pais e alunos
03/09
Qua
Prof/pais/dir/coor/alun
Nível 1
04/09
Qui
Caio
Nível 2
08/09
Seg
Sérgio
Nível 3
10/09
Qua
Geraldo
Todos
13/09
Sáb
Prova (14h 30min)

Turmas vespertino – 2ª fase
Turma
Data
Dia da semana
Professor
Nível 2/ nível 3
09/07
Qua
Geraldo
Professores
14/07
Seg
Todos
Nível 1
15/07
Ter
Almir
Nível 1
18/07
Sex
Brunio
Nível 2/ nível 3
21/07
Seg
Sérgio
Nível 2/ nível 3
28/07
Seg
Geraldo
Professores
04/08
Seg
Todos
Nível 1
11/08
Seg
Almir
Nível 2/ nível 3
19/08
Ter
Geraldo
Pais e alunos
03/09
Qua
Prof/pais/dir/coor/alun
Nível 1
04/09
Qui
Geraldo
Nível 2/ nível 3
08/09
Seg
Sérgio
Nível 2/ nível 3
10/09
Qua
Geraldo
Nível 1
11/09
Qui
Geraldo
Todos
13/09
Sáb
Prova (14h 30min)



Turmas noturno – 2ª fase
Turma
Data
Dia da semana
Professor
Única
16/07
Qua
Sérgio
Única
22/07
Ter
Almir
Única
07/08
Qui
Sérgio
Única
13/08
Qua
Almir
Única
19/08
Ter
Sérgio
Única
04/09
Qui
Almir
Única
10/09
Qua
Sérgio
Todos
13/09
Sáb
Prova

Dêem suas opiniões, contribuições para que os alunos da Escola dr Fernandes Lima sejam alvo do sucessor no seu futuro.


sexta-feira, 27 de junho de 2014

Espaço-tempo turbulento gera redemoinhos de gravidade

Redação do Site Inovação Tecnológica - 27/06/2014
Espaço-tempo turbulento gera redemoinhos de gravidade
Quando dois buracos negros se encontram, podem acontecer coisas muito mais dramáticas do que se acreditava. [Imagem: National Astronomical Observatory of Japan]
Distúrbios do espaço-tempo
As teorias atuais da física estabelecem que o espaço-tempo pode ser dobrado por grandes massas, dando origem à gravidade.
Mas o próprio espaço-tempo reage sempre de forma suave e tranquila - ele nunca se torna turbulento - gerando uma gravidade igualmente calma, tranquila e previsível.
Um novo estudo, porém, defende que essas teorias podem estar erradas.
Luis Lehner e seus colegas do Instituto Perimeter, nos Estados Unidos, explicam que a chave de tudo está em tratar a gravidade como um fluido.
"Há uma conjectura em física - a conjectura holográfica - que diz que a gravidade pode ser descrita como uma teoria de campo. E nós também sabemos que, em altas energias, as teorias de campo podem ser descritas com as ferramentas matemáticas que usamos para descrever os fluidos," explica Lehner. "Portanto, é uma dança de dois passos: gravidade é igual a teoria de campos e teoria de campos é igual a fluidos, assim gravidade equivale a fluidos. Isso é chamado dualidade gravidade/fluidos".
Espaço-tempo turbulento gera redemoinhos de gravidade
As ondas gravitacionais poderão validar ou não a hipótese dos redemoinhos de gravidade. [Imagem: Henze/NASA]
Dualidade gravidade/fluidos
Como um dos comportamentos característicos dos fluidos é a turbulência, se a gravidade pode se comportar como um fluido, então, sob certas condições, ela vai espiralar e gerar redemoinhos.
"Ou há um problema com a dualidade, e a gravidade realmente não pode ser totalmente capturada por uma descrição de fluidos, ou há um fenômeno novo na gravidade e a gravidade turbulenta realmente pode existir," disse Lehner.
A dualidade gravidade/fluidos vem sendo desenvolvida ao longo dos últimos seis anos. Mas, até agora, ninguém havia encarado de frente o problema da turbulência da gravidade.
E o que realmente importa saber é se a gravidade pode se tornar turbulenta não em considerações matemáticas, mas em uma situação real.
Para tentar verificar essa possibilidade, a equipe decidiu estudar buracos negros estelares, ou quasares, que giram muito rapidamente - mais especificamente, eles simularam as perturbações não-lineares dos buracos negros.
Sistemas gravitacionais raramente são analisados neste nível de detalhamento porque as equações são incrivelmente complexas. Mas, sabendo que a turbulência é fundamentalmente não-linear, a equipe não pode escapar das dificuldades e enfrentou o problema.
Espaço-tempo turbulento gera redemoinhos de gravidade
As simulações mostram que o espaço-tempo fica turbulento, e a gravidade passa a se comportar como um fluido. [Imagem: Yang/Zimmerman/Lehner]
Turbulências na gravidade
O resultado foi surpreendente: o espaço-tempo pode realmente se tornar turbulento nas condições extremas de uma dupla de buracos negros orbitando um em torno do outro.
"Fiquei muito surpreso", diz Huan Yang, membro do grupo. "Eu nunca acreditei em comportamentos turbulentos na Relatividade Geral, e por boas razões: ninguém jamais havia visto isto em simulações numéricas, mesmo de coisas dramáticas como buracos negros binários."
Mas como este fenômeno escapou dos teóricos? "Ele estava escondido porque a análise necessária para vê-lo tem que ir para as ordens não-lineares. As pessoas não têm motivação suficiente para fazer um estudo não-linear", explicou Yang.
Este é um trabalho teórico, mas que pode não ficar assim por muito tempo.
Vários detectores de última geração estão para ser ligados em busca das ondas gravitacionais - ondulações no "fluido gravitacional" que resultam de eventos como a colisão de dois buracos negros.
Se a gravidade pode se tornar turbulenta, então essas ondulações podem ser um pouco diferentes do que os modelos anteriores sugerem. Conhecer essas diferenças pode tornar mais fácil detectar as ondas gravitacionais, ou interpretar o que está sendo visto nos dados.
Assim, se as ondas gravitacionais forem realmente detectadas, e elas chegarem um pouco diferente do que os modelos do espaço-tempo comportado preveem, então isto poderá ser uma evidência da turbulência gravitacional.
E, se tiveram coragem para enfrentar a modelagem não-linear, talvez essa possibilidade de detecção dê à equipe a motivação suficiente para tentar descrever como seria, em uma situação real, o espalhamento de um redemoinho de gravidade pelo espaço-tempo.
Bibliografia:

Turbulent Black Holes
Huan Yang, Aaron Zimmerman, Luis Lehner
arXiv
http://arxiv.org/abs/1402.4859